Conceito

Diálogos incessantes

A cultura da Internet 2.0 é baseada no diálogo, em conversações entre “seres humanos” – e não em bits, bytes ou máquinas. Os usuários estão conectados o tempo todo e querem respostas humanas e pertinentes às suas demandas.

As marcas têm de participar desta corrente, apresentando seus valores e princípios, de forma humilde, honesta e rápida. As redes sociais trouxeram novas maneiras de comunicação entre as pessoas. Agora a comunicação é ágil e rápida. O conceito continua o mesmo, inaugurado pelo telegrama, cuja mensagem é curta, resumida, abreviada.

Este conceito tem sido bastante explorado pelos microblogs, que introduziram perguntas como “O que você está fazendo?” e “No que está pensando?”. O Twitter foi o primeiro serviço de microblogging a trazer estas perguntas, em 2006, mas outros, como o Facebook, também o fizeram.

A internet abriga hoje uma cultura de “minimização da mensagem” – mini-crônicas, pensamentos e opiniões formados por sentenças curtas – que refletem estados de espírito, recomendações, elogios, críticas ou observações.

Os textos, ou posts, são curtos, telegráficos, escritos de maneira rápida, em poucos caracteres (como os 140 do Twitter). As chamadas “mídias sociais” têm grandes diferenças da mídia “comercial”, impressa, eletrônica ou online. Estas últimas têm “filtros”, sistemas de controles que evitam personalismos e publicação de informações equivocadas, ainda que isto aconteça eventualmente.

As mídias comerciais têm conceitos e estruturas editoriais, “look and feel”, e são produzidas por jornalistas que orientam e depuram as informações, sem personalismos (com exceção de matérias de cunho investigativo ou opinativas, como resenhas e críticas). As “mídias sociais”, como o nome indica, são “mídias”, veículos de transmissão de informações, expressões, palpites, reclamações e elogios. São “sociais” porque reúnem grupos de conhecidos (amigos, colegas de escola, funcionários etc.) ou de pessoas com interesses comuns. Podem ser mídias sociais de massa, quando “viralizadas”, ou seja, quando conseguem capturar a atenção de grandes audiências, em correntes que envolvem milhões de pessoas.

Os brasileiros conhecem e usam diariamente estas mídias sociais em casa, no trabalho, nas lan houses ou em trânsito, com seus dispositivos móveis, como celulares e tablets. São desde os “agregadores de conteúdo”, como são chamados os “buscadores” (Google, Bing, Yahoo, Lycos etc.), aos blogs e “redes sociais” como o Twitter, Facebook, Instagram, Tumblr, Pinterest, LinkedIn e YouTube, entre outros.

Nas mídias sociais, os usuários podem ser tipificados em diferentes grupos, clusters ou coletivos: os ativistas (90% de tudo o que é publicado no Twitter é gerado por apenas 10% destes usuários), os reclamões, os exibidos, os tímidos, os discretos, os irascíveis, os espontâneos, os críticos, os analíticos, os copiadores (de vídeos, poemas, notícias etc.), os jogadores, os sociáveis, os excludentes e assim por diante. Estes usuários, sem filtros, disparam textos regularmente sobre tudo o que veem, ouvem e fazem.

As mídias sociais são uma continuação natural das comunidades organizadas em ligas, grupos comunitários, associações e clubes. E têm uma extensão muito maior, na medida em que seu alcance de comunicação é enorme.

 

Crédito ilustração: Gabriela Yaroslavsky, releitura de obra de León Ferrari.